quinta-feira, 25 de abril de 2013

ADORAÇÃO A MARIA



"Estou certo de que as Assembléias de Deus não veneram Maria, mas gostaria de saber qual a posição dessa denominação, em relação aos que agem de tal maneira, extrapolando os mandamentos de Cristo."
Maria, o mesmo que Miriam ou "ama­da", deve ser respeitada e, por ser a mãe do Senhor Jesus, não podemos dizer dela me­nos que Isabel: "Bendita és tu entre as mulheres... E de onde me provém que me ve­nha visitar a mãe do meu Senhor?" Em seu "Magnificat", Maria demonstra a sua humildade e, aí, vemos o porquê da sua es­colha por Deus. De fato, ela é venturosa entre as mulheres, por ser a escolhida para mãe do Salvador. Mas, de modo nenhum, devemos fazê-la motivo de adoração. É pe­cado adorar, não somente a Maria, mas a qualquer outro nome que não seja o do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Ela mesma, em seu cântico (Lucas 1.47), afirma: "E o meu espírito se alegra em Deus, meu Sal­vador". Este versículo bíblico é uma con­firmação de que ela necessitava também da salvação. Ora, como alguém que carece de salvação pode salvar outros? Além do mais, só os cegos espirituais, não vêem a grande diferença entre o Senhor Jesus e Maria. E quem a ela rende culto prova a sua total ignorância das Sagradas Escritu­ras.
A história tem mostrado quantas aber­rações têm sido cometidas, quanto a esses fatos. A adoração a Maria e a inúmeros ou­tros santos, como é sabido de todos, foi uma coisa forjada pelo romanismo. Sem ir muito longe, é digno de registro o fato, e até dispensa comentários, de que o papa Paulo VI ofereceu uma rosa de ouro ao Brasil, e ao benzê-la na Capela Sistina em 5 de março de 1967, perante uma represen­tação brasileira, expressou: "No Santuário de Nossa Senhora Aparecida, ela (a rosa) dará testemunho de nossa constante ora­ção à Virgem santíssima para que interce­da junto de seu Filho... Vamos a Maria para chegar a Jesus. Amando desse modo Nossa Senhora... chegaremos a Cristo, o Filho de Deus". Qualquer novo convertido ao Evangelho sabe que em nenhum outro nome há salvação, a não ser no nome de Jesus.
Quanto à salvação, o próprio Jesus dis­se: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim", Jo 14.6; "... tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vô-lo concederá", Jo 15.16b; "... Eu sou a porta das ovelhas", Jo 10.7.
- Que disse o apóstolo Pedro, acerca de Jesus? - Ele disse "e não há salvação em nenhum outro nome, dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos", At 4.12.

A BÊNÇÃO DO DÍZIMO


"O dízimo é uma obrigação do crente, ou pode ser substituído por qualquer im­portância que o crente quiser dar?"
A palavra dízimo já estabelece uma quantidade, dez, décimo, o todo dividido por dez. De acordo com Malaquias 3.10, o crente deve trazer o dízimo, isto é, 10% de sua renda. Uma quantidade maior, seria uma bênção, porém, menor, poderá carac­terizar desobediência ao que Deus deter­minou.
"Honra ao Senhor..." Podemos ver em Provérbios 3.9, que o dízimo é uma forma de honrar ao Senhor. 0 crente que real­mente compreende a Palavra de Deus, como diz o leitor, sente prazer em trazer a importância certa para a igreja. Muitos acham pesado pagar o dízimo, mas fazem grandes crediários, que mais tarde os fará cair em desonra, por não poderem pagar.
O dízimo é de Deus. A ordenança do dízimo vem de Deus. Ele mesmo o estabe­leceu e falou ao povo que, em parte esque­cido e em parte ganancioso, estava deixan­do a casa de Deus sem provimento. Alguns até roubavam para gastar nos seus pró­prios negócios. Muitos crentes não se inco­modam com a calçada do templo rachada, com as paredes manchadas, a luz deficien­te e as contas vencidas.
Jesus afirmou o dízimo. "Deveis fazer estas coisas", Mt 23.23. Jesus não disse que os fariseus estavam errados em dar o dízimo. Ele os recriminou por negligencia­rem a outra parte da justiça. O escritor aos Hebreus registrou que a igreja pagava dízi­mo, tanto quanto os sacerdotes: Hb 7.5,8. Portanto, o dízimo não pode ser uma im­portância arbitrária e ocasional, mas uma contribuição correta e sistemática para a casa de Deus. Pagar o dízimo é uma forma de alcançar maior prosperidade.

1921, Transmissão do Primeiro Progama Cristão de Rádio


O rádio tinha apenas dois meses de idade. A empresa Westinghouse, em Pittsburgh, foi a pioneira na utilização desse meio de comunicação, quando anunciou os resultados das eleições de 1920 em uma emissora que utilizava o prefixo KDKA. Os primeiros ouvintes usavam aparelhos primitivos, feitos em casa, mas, agora, a Westinghouse vendia um grande número de aparelhos de rádio já prontos — e os compradores precisavam ter programas para ouvir. Diante da busca frenética por programas, aquela estação de rádio decidiu transmitir o culto de uma igreja. Um dos engenheiros da Westinghouse era membro do coro da Igreja Episcopal do Calvário, em Pittsburgh. Desse modo, foram feitos acertos para transmitir um culto daquela igreja no primeiro domingo de 1921. O ministro-principal, bastante cético, deixou o culto a cargo de seu ministro auxiliar, Lewis B. Whittemore. Dois engenheiros da KDKA — um católico e um judeu — operaram o equipamento. Eles vestiram as mesmas becas do coro para que sua presença na plataforma não distraísse a congregação. A resposta à transmissão foi tão positiva que o culto se tornou um programa regular da KDKA. Na área de Chicago, o pregador Paul Rader levou um quarteto de metais para um "estúdio" no telhado de uma casa, composto de uma grande caixa de madeira com um buraco em um dos lados. “Aprontem-se e apontem seus instrumentos para este buraco aqui”, disse o técnico. "Quando eu der o sinal para tocar, vocês tocam." Ele colocou o microfone de um aparelho telefônico antigo pelo buraco e disse: "Toquem!". O quarteto tocou. Rader pregou. A resposta favorável levou Rader a procurar outras estações de rádio da área de Chicago. Percebendo que a rádio WBBM de Chicago fechava todos os domingos, ele deu um jeito para conseguir usar seus estúdios naquele dia. Por catorze horas, todos os domingos, Rader conduzia sua estação de rádio semanal, chamada WIBT, Where Jesus blesses thousands [Onde Jesus abençoa milhares] Assim como ocorreu com muitos outros avanços tecnológicos, muitos cristãos evangélicos temiam a introdução do rádio. Além do mais, Satanás não era o "o príncipe das potestades do ar"? A maioria dos pregadores pioneiros do rádio enfrentou mais oposição vinda da própria igreja do que da sociedade secular. Na cidade de Omaha, no Estado norte-americano de Nebraska, a rádio WOAW (mais tarde conhecida por wow) começou a transmitir em abril de 1923. A estação foi desprezada por diversos pregadores, até que pediram a R. R. Brown, ministro da Aliança Cristã Missionária, novo na cidade, que assumisse a programação da Rádio. Brown pediu conselho a um amigo. Este lhe disse que estava orando para que Deus "concedesse autoridade" sobre essa nova (e potencialmente mundana) Paul Rader, pioneiro nos programas cristãos de rádio
estação de rádio. Seria Brown aquele que exerceria essa autoridade? Brown concordou em fazer apenas o primeiro programa, mas, ao deixar o estúdio depois da transmissão, um homem se encontrou com ele, afirmando que fora convencido pelo Espírito Santo e que se convertera pela transmissão do programa. Brown gritou: "Aleluia! A unção pode ser transmitida!". Em Chicago, a WGES preparava uma transmissão remota da Exposição de Produtos de Illinois em 1925. Estavam prontos para entrar no ar, mas os músicos ainda não haviam chegado. Por acaso, um dos funcionários da estação ouvira dois estudantes tocando cometas no estande do Instituto Bíblico Moody e correram para eles a fim de "pedir o serviço deles emprestado". Alguns dias depois, a estação de rádio convidou o Instituto Bíblico Moody para realizar um programa de uma hora todos os domingos. Isso acabou por levar à criação da própria estação de rádio do Instituto, chamada WMBI. Em 1928, Donald Grey Barnhou-se tornou-se o primeiro pregador de rádio a comprar um horário em rede nacional, transmitindo seu programa pela CBS a partir da Décima Igreja Presbiteriana da Filadélfia. Em 1930, Clarence Jones e Reuben Larson lançaram a primeira estação de rádio missionária, a HCJB, na cidade de Quito, Equador, e essa foi a primeira estação de rádio daquele país. Durante a grande moda do rádio no meio da década de 1920, muitas igrejas e ministérios começaram a fazer transmissões. Em 1928, havia sessenta estações de rádio de cunho religioso. Nesse momento, a comissão federal de rádio instituiu novas regras, padronizando freqüências e eliminando muita confusão. As regulamentações extinguiram as rádios menores, mas ajudaram as que estavam mais bem aparelhadas. Em 1932, apenas trinta estações de rádio religiosas ainda operavam. Contudo, na segunda metade do século, a mídia cristã cresceu bastante. Líderes como Billy Gra-ham, Rex Humbard, Oral Roberts e Pat Robertson, sem falar do bispo Fulton Sheen, abriram o caminho para a televisão nas décadas de 1950 e 1960. O rádio e a televisão desempenharam um papel muito importante no ressurgimento do fundamentalismo no final da década de 1970. O envolvimento dos cristãos com o rádio, na década de 1920, revelou um pouco da esquizofrenia do fundamentalismo americano. "Separação" era a palavra em voga. Pregadores fundamentalistas, como Billy Sunday, pediam a seus ouvintes que evitassem o "mundanismo" em todas as suas formas. Os fundamentalistas também foram os que preservaram um evangelho expansivo. Para serem verdadeiros com ele, precisavam levar a palavra aos outros. Para isso, era necessário usar todos os meios disponíveis — inclusive as ondas de rádio — para pregar sobre Jesus. Desse modo, o surgimento das rádios cristãs foi o acontecimento precursor dos movimentos evangélicos das décadas de 1930 e 1940, nos quais o ímpeto evangelístico começou a suavizar a abordagem radical dos separatistas. Conforme as emissoras de televisão cristãs se expandiam a partir das rádios cristãs, a transmissão religiosa tornou-se um grande negócio. Nos EUA, o encantamento da televisão capturara o público em geral, de modo que ela se tornou a maior fonte de entretenimento — ou de inatividade — para a maioria das pessoas. Os cristãos também foram cativados por sua mística. Pregadores empreendedores construíram grandes organizações e instituições (parques de diversão, universidades, catedrais de cristal) como base para seus ministérios televisivos. Eles procuravam firmar uma forte presença política nos anos de 1980, em que um deles, Pat Ro-bertson, chegou até mesmo a concorrer à presidência dos EUA. Os ministérios religiosos televisivos alcançavam apenas uma pequena fração do público americano. Os analistas de audiência das transmissões seculares sempre souberam disso e nunca encararam a programação religiosa como ameaça suficientemente forte para tirar sua audiência. Os cristãos, no entanto, ficaram enamorados com a idéia de que ao menos estavam presentes no poderoso mundo da televisão e, no final da década de 1980, subsidiavam a transmissão de programas religiosos a um custo de 2 bilhões de dólares por ano nos EUA. Infelizmente, escândalos
morais envolvendo dois dos maiores ministérios atingiram a "grande audiência", cuja repercussão foi muito maior do que aquela que os programas religiosos alcançaram. Assim como a televisão mudou a maneira de os americanos elegerem os políticos durante as décadas de 1970 e 1980, a religião televisiva sem dúvida influenciou, de forma decisiva, a percepção pública da natureza e do significado do cristianismo. É muito cedo para realmente sabermos de que maneira a programação religiosa da televisão atingiu a igreja durante esse período, mas será importante descobrir isso.

1906, O Avivamento da rua Azusa.




"Com gritos estranhos e pronunciando coisas que aparentemente nenhum mortal em seu juízo normal pudesse entender, teve início, em Los Angeles, a mais recente seita religiosa." Foi isso o que disse a edição de 18 de abril de 1906 do Los Angeles Times. 'As reuniões acontecem em um prédio decadente da rua Azusa, e os devotos de doutrinas estranhas praticam os ritos mais fanáticos, pregam as mais extravagantes teorias e se colocam em um estado de louca euforia quando se entregam ao fervor pessoal." A publicidade negativa realmente ajudou a trazer mais pessoas. Alguma coisa sobrenatural acontecia naquele prédio antigo. William J. Seymour, pregador batista negro, recém-chegado de Houston, chamava os crentes a dar um passo a mais. Na verdade, dois passos: ele queria que eles se "santificassem" e que fossem "batizados no Espírito Santo". O batismo, dizia ele, seria acompanhado pelo falar em línguas. Houve outras irrupções do falar em línguas ao redor dos EUA e da Europa nos anos anteriores, mas o acontecimento da rua Azusa foi a grande explosão. As reuniões continuaram naquele "prédio decadente" por vários anos. Muitas pessoas viajaram para lá simplesmente para ver o que estava acontecendo. O mundo estava pronto para o avivamento. O final do século XIX assistiu à grande revolução industrial. As pessoas se tornavam engrenagens da máquina social. A lacuna entre os ricos e os pobres aumentava. Infelizmente, a igreja, com freqüência, pendia mais para os ricos. Até mesmo grupos "comuns" e tradicionais, como os batistas e os metodistas, enfatizavam mais os bens materiais do que a energia espiritual. Graças aos precursores avivalistas, como Finney e Moody, as igrejas estavam cheias. Porém, muitos que professavam o cristianismo ainda careciam de alguma coisa. O movimento Holiness [Santidade] foi o primeiro passo na direção do avivamento. Essas agitações, especialmente na Igreja Metodista, buscavam uma "segunda bênção" de Deus, na qual os crentes seriam "santificados" para viver uma vida santa. Os ensinamentos de Keswick também tiveram seu impacto, tanto na Europa quanto nos EUA. Criados nas convenções anuais de Keswick, na Grã-Bretanha, os mestres de Keswick imploravam aos cristãos: "Caminhem no poder da ressurreição de Cristo"; "Deixe Cristo reinar em sua alma". Não aconteceu nada muito radical ali, a não ser a vontade de uma experiência cristã mais plena, para utilizar a linguagem que os pentecostais usariam mais tarde. Outra corrente de pensamento que apressou o surgimento do incipiente movimento pentecostal foi o pré-milenarismo, popularizado por J. N. Darby e a Irmandade de Plymouth. A virada do século fez com que as posições pré-milenaristas e pós-milenaristas ficassem conhecidas. Muitos começaram a propagar a idéia de um "século cristão", no qual a igreja e a tecnologia prenunciariam o Reino de Deus. Os pré-milenaristas, no entanto, afirmavam que o fim dos tempos estava próximo, pois seria caracterizado, como era profetizado, pelo irromper de uma atividade espiritual. É possível encontrar base para o movimento pentecostal em 1896. William F. Bryant liderou o avivamento no condado de Cherokee, na Carolina do Norte, que incluía o falar em línguas. Como essas manifestações continuaram, as pessoas foram expulsas das igrejas, edifícios religiosos foram queimados e o próprio Bryant foi atingido por um tiro. Falar em línguas não era uma atividade popular no condado de Cherokee.
O avivamento no País de Gales, entre 1904 e 1906, teve, certamente, impacto no clima religioso de sua época. Evan Roberts, ex-mineiro, viajou por todo o país de Gales e, mais tarde, pelo mundo, proclamando o ministério do grande avivamento do Espírito. O falar em línguas não era enfatizado de maneira específica, mas sim o poder espiritual. Um pequeno grupo de pastores da área de Los Angeles visitou o País de Gales e tentou trazer o avivamento para suas igrejas, mas obtiveram sucesso limitado. Contudo, as sementes da restauração estavam sendo lançadas em Los Angeles. Se preferir, você pode observar o movimento de restauração da virada do século XIX que apelava para um retorno aos dons e às práticas da igreja apostólica, especialmente o dom de cura. John Alexander Dowie afirmava que era Elias, o restaurador, e estabeleceu uma comunidade cristã (que mais tarde se tornou a cidade de Zion [Sião], no Estado de Illinois). No Estado do Maine, Franck Sandford também afirmava ser Elias, o restaurador, que viera estabelecer uma comunidade em Shiloh [Silo]. Em 1900, Charles Fox Parham passou cerca de seis semanas em Shiloh. Ele era um pregador metodista da linha Holiness, do Kansas, que procurava a "fé apostólica". Ele e sua esposa fundaram uma "casa de cura" em Topeka, onde as pessoas poderiam permanecer gratuitamente enquanto oravam por sua cura. Em Shiloh, Parham ficou impressionado com a escola bíblica fundada por Sandford, O Espírito Santo e Nós, cuja abordagem era claramente antiacadêmica. A Bíblia era o único texto usado, e o único professor era o Espírito Santo. Parham fundou uma escola similar, quando voltou para sua casa. Cerca de quarenta estudantes se matricularam. Em dezembro daquele ano, Parham pediu a seus alunos que procurassem nas Escrituras, para ver se havia algum sinal que supostamente indicaria a existência do batismo no Espírito Santo. Quando se reuniram no culto de vigília do Ano-Novo, eles já tinham a resposta: o batismo no Espírito Santo seria manifestado pelo dom de línguas. Agnes Ozman orou para receber o Espírito Santo e "a glória caiu sobre ela", como disse Parham. "Um halo parecia cercar sua cabeça e seu rosto, e ela começou a falar o idioma chinês. Ela não foi capaz de falar inglês por três dias." No mês seguinte, a maioria dos alunos teve experiência similar. Os esforços de Parham para espalhar esse avivamento para as cidades de Kansas City e Lawrence fracassaram. As igrejas se opuseram, e os jornais zombaram desse fato. Em 1903, uma mulher do Texas foi curada depois de uma oração de Parham, o que levou a convidá-lo a promover um avivamento na cidade de Galena, no Texas. Esse empreendimento foi bem-sucedido. Em 1905, essas reuniões "pentecostais" ou do "evangelho pleno" aconteciam no Mis-souri, no Kansas e no Texas, e eram freqüentadas por cerca de 25 mil pessoas. Depois da campanha de Houston, em 1905, Parham fundou outra escola bíblica ali. Um dos alunos mais promissores foi William J. Seymour. Uma mulher de Los Angeles visitou a escola de Houston e teve uma experiência de batismo no Espírito Santo. Quando retornou para sua casa, ela insistiu em que a congregação do Nazareno convidasse Seymour para ser pastor auxiliar daquela comunidade. Ironicamente, a igreja que trouxera o avivamento pentecostal para Los Angeles não queria ter participação alguma nesse avivamento. A ênfase que Seymour dava ao ato de falar em línguas ofendeu alguns membros, e ele ficou proibido de participar da igreja. Por fim, ele começou a realizar cultos na casa de alguns amigos. Os cultos duraram três dias e três noites, atraindo muito mais pessoas do que a casa comportava. As pessoas se organizaram para mudar para um prédio na rua Azusa, ocupado anteriormente por uma Igreja Metodista. Ali, sentadas (e em pé!) nos bancos de tábua, entre materiais de construção, as pessoas continuaram seu culto de adoração cheias do Espírito. A igreja passou a se chamar Missão Evangélica da Fé Apostólica. Todas as linhas da renovação espiritual pareciam convergir para esse prédio. Ele foi a Meca pentecostal. Por vários anos, serviu como centro de um movimento pentecostal crescente. As pessoas visitavam o local e tentavam levar de volta para suas casas o que encontravam ali. A despeito desse foco geográfico, o movimento pentecostal foi extremamente diversificado. Havia um grande número de líderes carismáticos, incluindo Seymour e Parham, que reuniam
seguidores, bem como disputavam uns com os outros. O movimento também foi intencionalmente desvinculado de organização e de denominações, pois se preocupava apenas em seguir a orientação do Espírito. Isso pode explicar a abundância de pequenas denominações pentecostais que existem hoje. A Assembléia de Deus, a maior denominação pentecostal hoje em dia, começou como uma tentativa de alcançar alguma coesão — assim como alguma regulamentação — dentro do movimento. Havia muitas acusações de conduta inadequada nas áreas financeira e sexual por parte dos principais pregadores. Havia também várias disputas doutrinárias. Um grupo de pentecostais do sul dos EUA, liderado por Eudorus N. Bell, passou a se autodenominar Fé Apostólica e começou a buscar união dentro do movimento. A medida que outras pessoas se juntaram a eles, o nome mudou para Igreja de Deus em Cristo. Em 1913, essa igreja era composta por 352 ministros em uma associação bastante livre, sem qualquer autoridade que os unisse. Em abril de 1914, o grupo convocou todos os pentecostais para uma reunião em Hot Springs, no Arkansas. O propósito era: união, estabilidade, credibilidade do movimento e criação de um programa de missões e de institutos bíblicos. Foi assim que nasceu a denominação chamada Assembléia de Deus. Apesar de as questões pentecostais se tornaram a razão pela qual houve divisão de muitas igrejas não-pentecostais, o pentecostalismo provávelmente foi a arma mais poderosa do cristianismo no século XX. Sua ênfase em missões e no evangelismo resultou em um crescimento fenomenal do movimento, tanto nos EUA quanto por todo o mundo.

A conversão de Dwight Lyman Moody.




O jovem de dezessete anos tentava fazer a vida na grande cidade de Boston. Depois de caminhar pelas calçadas por várias semanas, conseguiu trabalho como vendedor de sapatos na loja de seu tio. Morava no andar de cima da loja. "Tenho um quarto no terceiro andar", escreveu, "... posso trabalhar com minha máquina de costura, e existem três edifícios antigos cheios de meninas, as mais bonitas da cidade —, que xingam como papagaios [sic]". Uma das nove crianças criadas por uma jovem viúva na área rural de Northfield, Massachusetts, Dwight Lyman Moody não recebeu muita instrução, mas tinha sonhos e determinação. Contudo, a cidade de Boston não foi gentil para com ele. "Se o homem quiser sentir que está sozinho no mundo", escreveu Moody certa vez, "ele não precisa ir ao deserto, onde terá a companhia de si mesmo; deixe que vá para alguma dessas grandes cidades e que caminhe pelas ruas onde poderá encontrar milhares de pessoas, mas não achará ninguém que o conheça ou possa reconhecê-lo". "Lembro-me de quando saí por aquela cidade à busca de algum trabalho, mas não consegui encontrar nenhum. Parecia que havia um lugar para todas as outras pessoas no mundo [...] exceto para mim. Por quase dois dias tive a horrível sensação de que ninguém me queria." Moody ouviu os abolicionistas discursarem em um lugar próximo do Faneuil Hall. Passou a freqüentar a Associação Cristã de Moços (ACM), organização que, havia pouco tempo, fora importada da Inglaterra, além de começar a freqüentar a Igreja Congregational de Mt. Vernon para ouvir os sermões do famoso Edward Norris Kirk. Moody achou a pregação bastante poderosa e tocante — tão tocante que, por diversas vezes, caiu no sono. "Um jovem aluno de Harvard [...] deu-me um cutucão com o cotovelo, e, a seguir, esfreguei meus olhos com a ponta de meus dedos e acordei. Olhei para o ministro e — vejam só — achei que ele pregava diretamente para mim. Então, falei para mim mesmo: 'Quem será que contou alguma coisa sobre mim ao dr. Kirk?' [...] No final do culto [...] peguei meu casaco e saí dali o mais rápido que pude." Seu professor da escola dominical, Edward Kimball, tomava conta do jovem Moody, insistindo em que voltasse a prestar atenção quando se desviava. Ele também desafiava Moody a ler a Bíblia com regularidade. Ele até tentou, mas não conseguia entendê-la. "Conheci poucas pessoas com mente tão obscura em termos espirituais como a daquele jovem que começara a freqüentar minha classe", escreveu Kimball mais tarde. Em 21 de abril de 1855, Kimball achou que era hora de pedir que Moody assumisse um compromisso com Cristo. Ele foi até a loja de sapatos e parou meditativo bem em frente a ela. Pôs-se a caminhar de lá para cá e, sem mais nem menos, como se tivesse mudado de idéia, entrou de repente na loja. Encontrou Moody empacotando sapatos e colocando-os nas prateleiras. O jovem já estava pronto para ouvir. Naquele dia, D. L. Moody tornou-se cristão. Demorou um pouco para que Moody compreendesse as implicações de sua fé. Na realidade, foi-lhe negada a filiação à igreja porque não passou no exame de admissão: ele não conseguiu explicar D. L. Moody
o que Cristo fizera por ele. Entretanto, seu coração estava transformado. Ele não tinha vergonha de ser cristão e continuava aprendendo sobre sua fé. Não demorou muito para ele se cansar de Boston, levando seus sonhos rumo a oeste, para a cidade de Chicago. Seu jeito impetuoso era bem mais aceito ali, e ele se deu bem na venda de sapatos. Também se envolveu em trabalhos evangelísticos. Certa vez, caminhou até uma missão na rua North Wells e perguntou se poderia ensinar em uma classe de escola dominical. Disseram-lhe que a missão tinha muitos professores, mas não havia alunos suficientes. Se ele pudesse trazer alunos, então poderia ensiná-los. Isso não era problema para alguém como Moody, que possuía as habilidades de bom vendedor. Em pouco tempo, ele lecionava para uma multidão de crianças pobres. Em 1861, Moody já trabalhava em tempo integral no ministério, tanto com a escola dominical quanto na ACM. Ele conseguiu apoio de comerciantes locais como John Farwell e Cyrus McCormick. Em 1864, sua missão foi transformada em igreja. Em 1871, o ministério de Moody em Chicago era bastante confortável, seguro e próspero. Ele começou a pensar na possibilidade de viajar como evangelista, mas por que deixaria uma situação tão boa? O grande incêndio de Chicago fez com que mudasse de idéia. Sua igreja, sua casa e o prédio da ACM se transformaram em um monte de cinzas, e o mesmo aconteceu com o comércio de seus patrocinadores. Seria muito difícil levantar dinheiro em outras cidades para reconstruir o ministério em Chicago, de modo que Moody decidiu botar o pé na estrada. Ele viajou para a Inglaterra em 1873. Suas reuniões evangelísticas varreram as ilhas britânicas como uma verdadeira tempestade. Depois de dois anos de trabalho na Grã-Bre-tanha, voltou para os EUA como uma celebridade internacional. Foi convidado a pregar em muitas cidades americanas. Seguindo os passos da tradição avivalista estabelecida por Charles Finney, Moody trouxe o evangelismo para a era industrial. Pregava um evangelho simples, livre de divisões denominacionais. Isso expandiu sua influência, assim como o apoio que recebia. Moody fez alianças de peso com os comerciantes respeitáveis, que foram os líderes da nova geração, e não os pregadores. Ele insistia em que os homens colocassem suas riquezas em boas causas, como cuidar dos pobres em áreas urbanas. Moody trouxe técnicas de negócio para o planejamento evangelístico. Música, aconselhamento e acompanhamento eram partes de uma abor dagem organizada para atingir o coração das pessoas. Em 1879, Moody voltou sua atenção para a educação, criando o Seminário de Northfield, para moças, e depois a Escola Monte Hermom, para rapazes. Deu início às conferências bíblicas de verão e ao Instituto Bíblico, que hoje possui seu nome. Inicialmente, ele temia competir com os seminários já estabelecidos, porém, cada vez mais, percebia a necessidade de treinamento prático para o ministério. Seu problema não estava relacionado tanto com a linha liberal dos seminários norte-americanos, mas o que o perturbava era o isolamento dessas escolas com relação às pessoas comuns. Seu objetivo era treinar comunicadores que pudessem levar a verdade simples de Deus às massas que precisavam dela. Essa abordagem prática persiste no foco do império que possui seu nome. O Instituto Bíblico Moody, por exemplo, continua a treinar pastores, missionários e outros obreiros. A influência de Moody, no entanto, chegou muito além disso. Ele foi o precursor de evangelistas como Billy Sunday e Billy Graham, e o aspecto social de seu evangelismo ajudou a inspirar profundo compromisso com o ministério social entre os evangélicos.

Charles Haddon Spurgeon, torna-se Pastor em Londres.




"Isso deve ser um engano." Foi isso o que Charles Haddon Spurgeon pensou quando lhe pediram para pregar na capela da rua New Park, em Londres. Era uma igreja de grande prestígio, em um maravilhoso edifício antigo, e Spurgeon tinha apenas dezenove anos de idade. Entretanto, não era um engano. Depois de ter falado, Spurgeon foi convidado a se tornar o pastor principal daquela igreja, e manteve-se nesse posto por quase quatro décadas. Spurgeon dificilmente seria o tipo apropriado para uma sociedade londrina claramente dividida em classes. Nascido em uma família de huguenotes, em uma área rural de Essex, viveu com seus avós quando criança porque seus pais eram muito pobres para cuidar dele. Seu avô e seu pai eram ministros congregacionais, mas Charles freqüentou uma escola agrícola — ainda que por apenas alguns meses. Lutando com as necessidades de sua alma, Spurgeon decidiu ir à igreja no primeiro domingo de 1850. Uma nevasca impediu que fosse até a igreja que ele pretendia freqüentar, mas terminou indo a uma capela mais próxima, uma metodista primitiva. O orador era ignorante, como disse o próprio Spurgeon mais tarde, mas lançou um desafio direto ao jovem Charles. Como resultado, Spurgeon tornou-se cristão aos dezesseis anos de idade. Spurgeon logo descobriu que tinha o dom da oratória. Em 1852, ele se tornou pastor de uma pequena Igreja Batista em Waterbeach. Era uma área bastante rude, e as pessoas daquela região eram conhecidas por seu apego à bebida. Spurgeon desenvolveu um estilo direto. Seus ouvintes não deveriam esperar por explicações teológicas floreadas — ele simplesmente diria a eles o que a Bíblia tinha a dizer. A fama do "jovem pregador" de Waterbeach começou a se espalhar. Logo, a diretoria da capela da rua New Park decidiu dar-lhe uma oportunidade. A igreja possuía um histórico magnífico, mas enfrentava dificuldades. O prédio muito bem ornamentado tinha espaço para cerca de mil pessoas, mas, nos últimos tempos, a igreja tinha dificuldades para reunir uma centena. Cerca de oitenta pessoas compareceram ao primeiro culto de Spurgeon. Talvez o jovem pregador pudesse fazer com que as coisas acontecessem. Ele fez. Seu estilo direto fez com que o povo londrino acordasse. A audiência da igreja cresceu muito rapidamente. Não demorou muito para que aquele grande templo ficasse lotado. A igreja precisou alugar o Exeter Hall, um teatro com capacidade para 4 500 pessoas.
Charles Haddon Spurgeon
Um crescimento tão rápido chamou a atenção da imprensa de Londres, cujos artigos sobre o novo pastor nem sempre eram favoráveis. "Todos os seus discursos são carregados de mau gosto, além de serem vulgares e teatrais", escreveu um jornal. Outro dizia que seu estilo "era ordinário e coloquial, repleto de extravagâncias [...] Até mesmo os solenes mistérios de nossa santa religião são tratados por ele de maneira rude, áspera e impiedosa [...] Esse é o pregador que 5 mil pessoas escutam." O número era superior: 10 mil pessoas ou mais. O Exeter Hall logo ficou muito pequeno para as multidões que queriam ouvir Spurgeon. A igreja alugou o Surrey Music Hall, com capacidade para 12 mil pessoas sentadas, e o lugar ficou lotado, sem contar as quase 10 mil que esperavam do lado de fora. Infelizmente, o culto de abertura trouxe consigo um grande desastre. Alguns agitadores gritaram "Fogo!". No pânico que se seguiu, sete pessoas morreram e 28 ficaram gravemente feridas. O incidente não contribuiu em nada para que Spurgeon passasse a ser mais tolerado pela imprensa de Londres. Havia, no entanto, um novo entusiasmo evangélico na Inglaterra de 1860, e Spurgeon estava exatamente no meio dele. Os historiadores chamaram esse episódio o Segundo Avivamento Evangélico. Outros pregadores, como Alexander Maclaren, em Manchester, e John Clifford, em Londres, também atraíam multidões. Em 1861, a capela da rua New Park concluiu a construção de um novo edifício, o Tabernáculo Metropolitano, com capacidade para 6 mil pessoas. O ministério de Spurgeon apenas começava. Publicou seus sermões, assim como comentários e livros devocionais, totalizando 140 livros. Fundou um seminário para pastores e o orfanato de Stockwell, que cuidava de 500 crianças. Tornou-se presidente de uma sociedade para distribuição da Bíblia. Ele pregava em todos os lugares sempre que lhe era dada oportunidade. O estilo de Spurgeon pode ter sido direto e simples, mas não era relaxado com relação à teologia. Ele era um batista de convicção calvinista. De certa maneira, essa mistura de tradições ajudou as duas alas: trouxe a estrutura do Calvinismo à religião das classes mais simples e ofereceu a sinceridade da fé batista às igrejas das classes mais abastadas. Seu dom era o da comunicação. Ao ler seus trabalhos, podemos encontrar um poder moderno neles. Lembre-se de que ele viveu em uma época na qual se prezava muito o estilo: o que você dizia, normalmente, não era nem de perto tão importante quanto a maneira como você falava. Spurgeon, no entanto, não tinha tempo para expressões refinadas. Ele empregava fortes imagens na linguagem e escolhia verbos que enfatizassem suas idéias. Ao fazer isso, estabeleceu um exemplo para os pregadores futuros. Os trabalhos escritos desse "príncipe dos pregadores" continuam nos catálogos de várias editoras nos dias atuais, pois ainda são muito admirados.

1608-1609, John Smyth Batiza os primeios Batistas


Na primeira década do século XVII, dois grupos fugiram para a Holanda, com a finalidade de escapar da perseguição anglicana. Um desses grupos se transformou nos peregrinos. O grupo formou o movimento dos batistas. Era uma época incerta para os cristãos na Inglaterra. A rainha Elisabete estabilizara a Reforma anglicana, assumindo uma posição moderada. Ela determinou que a Igreja Anglicana seria quase católica. A rainha já evitara as sangrentas guerras civis que assolaram o restante da Europa, mas sua decisão perturbou muitos dos protestantes mais radicais. Algumas dessas pessoas tentaram "purificar" a igreja, permanecendo dentro dela (os puritanos), mas outros decidiram se separar da igreja oficial (os separatistas). Mais ainda, era muito perigoso promover reuniões religiosas que não estivessem vinculadas à igreja oficial. Quando Tiago I assumiu o trono, em 1603, ninguém sabia exatamente o que esperar. Os puritanos e os separatistas gostaram do fato de esse monarca ter crescido na Escócia presbiteriana. Isso poderia fazer com que ele pendesse para o lado desses grupos. Os católicos gostaram do fato de sua mãe, Maria da Escócia, ter sido uma católica fervorosa. Como os fatos provaram, Tiago era anglicano convicto e tornou as coisas ainda mais difíceis para os que estavam se separando da igreja oficial. John Smyth, ex-aluno de Cambridge, era pregador e orador da Igreja Anglicana na virada do século XVII. Parece que ele se tornou interessado na busca pela verdade religiosa somente por volta dos trinta anos de idade. Perto do ano de 1606, ele deu o audacioso passo de iniciar uma igreja separatista em Gainsborough, Lincolnshire. A audácia de Smyth pode ter inspirado outros. Vários outros grupos separatistas surgiram naquela área, incluindo um em Scrooby na casa de William Brewster. Quando a oposição das autoridades se intensificou em demasia, a congregação de Smyth fugiu para Amsterdã. Isso provavelmente aconteceu em 1608. (O grupo de Scrooby fugiu para Leyden e, mais tarde, enviou parte de sua filiação para a América.) Em Amsterdã, a igreja de Smyth alugou um salão de reuniões que pertencia a um menonita. Por meio de seu contato com os menonitas de Amsterdã, Smyth começou a alterar sua maneira de pensar. Os menonitas receberam essa designação por causa de Menno Simons, ex-padre que desenvolveu uma grande comunidade anabatista na Holanda. Os anabatistas eram os radicais da Reforma, opositores das igrejas oficiais de qualquer tipo e que insistiam no batismo apenas de crentes. Smyth ficou convencido de que o batismo infantil não era ensinado pelas Escrituras, assim como também não era algo muito lógico. Desse modo, acabou por convencer cerca de quarenta membros de sua congregação, que foram rebatizados por Smyth, que também se rebatizou com eles. Você pode considerar esse acontecimento o marco inicial da Igreja Batista. Porém, faltou pouco para que as coisas não acontecessem dessa maneira. O nascimento da Igreja Batista exigiu o início de outra tradição batista: a divisão da igreja. Em 1610, duvidando da legitimidade do batismo independente que conduzira, Smyth procurou mesclar sua congregação com a Igreja Menonita. Cerca de dez membros da igreja se opuseram a essa fusão. Eles reclamaram a respeito disso com Smyth e pediram aos menonitas que não aceitassem esse grupo. (Os menonitas conseguiram postergar sua decisão e esperaram até 1615 para admitir os novos membros, três anos depois de Smyth morrer de tuberculose.)
Enquanto isso, liderado por Thomas Helwys, o grupo dissidente voltou para sua terra natal. Ali, perto de Londres, estabeleceram a primeira Igreja Batista da Inglaterra. Helwys, aristocrata rural que estudava Direito, tornou-se grande defensor da liberdade religiosa, publicando um livro intitulado Uma breve declaração do mistério da iniqüidade. Ele ousou enviar uma cópia autografada ao rei Tiago com a seguinte inscrição: "O rei é um homem mortal e não é Deus; portanto, não tem poder sobre a alma imortal de seus súditos, de modo a fazer leis e ordenanças para eles e estabelecer senhores espirituais sobre eles". Helwys foi preso e jogado na prisão de Newgate. Nunca mais se soube coisa alguma sobre ele. O movimento batista, no entanto, cresceu. Essas igrejas se tornaram conhecidas por batistas gerais, devido à sua visão da expiação. Smyth trouxera a teologia arminiana dos menonitas, sustentando que Cristo morreu por toda a humanidade, e não apenas pelos eleitos. O grupo conhecido como batistas particulares surgiu de maneira independente entre 1638 e 1640. Eram puritanos que adotaram o batismo de crentes, mas retinham sua teologia calvinista. Eles também praticavam o batismo por imersão, que os batistas gerais logo passaram a realizar. Até aquele momento, os seguidores de Smyth praticavam o batismo por as-persão. Em 1644, havia na Inglaterra 47 congregações de batistas gerais e sete de batistas particulares. Desde o início, as duas principais ênfases batistas eram evidentes: o batismo de crentes e a independência do Estado (convicção que compartilhavam com os anabatistas). Isso continuou ao longo dos séculos. Essa independência trouxe perseguição, divisão, mas também grandes feitos individuais.